Quênia
O que estamos aprendendo: como a Swahilipot cria caminhos em que o bem-estar permite que os jovens se desenvolvam
Quênia
Fundação Swahilipot Hub é uma organização comunitária sediada em Mombaça, no Quênia, que apoia jovens a construir meios de subsistência a partir de soluções enraizadas em suas comunidades. Quando começamos trabalhar com a Swahilipot em 2023, eles já haviam alcançado 4.000 jovens. Hoje, seu trabalho atinge mais de 36.000 jovens. O que estamos aprendendo ao longo dessa jornada é que esse crescimento não se resume apenas a ampliar o acesso, mas sim a colocar o bem-estar no centro do apoio oferecido aos jovens para que possam prosperar.
Shazmeen quase não concluiu os estudos. Tendo crescido na costa do Quênia, ela enfrentou uma pressão cada vez maior para abandonar a escola mais cedo e se casar, um caminho que se esperava que muitas meninas ao seu redor seguissem. Embora fosse algo normalizado, isso limitava o que parecia possível. Por muito tempo, parecia que o sistema ao seu redor não havia sido criado para apoiar seus sonhos ou seu bem-estar. Como muitos jovens da costa do Quênia, Shazmeen enfrentava caminhos limitados para seguir em frente e uma sensação tácita de que seus sonhos talvez não fossem válidos.
Um encontro casual com o fundador da Swahilipot, Mahmoud Noor, tornou-se um ponto de virada. O envolvimento com a Swahilipot conectou-a a uma rede de jovens que enfrentavam realidades semelhantes, além de lhe proporcionar orientação e, por fim, uma bolsa de estudos universitária. Mas, mais do que uma oportunidade, isso lhe deu um sentimento de pertencimento, renovou sua confiança e abriu espaço para que ela repensasse seu futuro. Por meio desse apoio, ela descobriu uma paixão pela saúde mental, reconhecendo quantos jovens como ela lidam com a pressão e o silêncio sozinhos. Esse é o poder do modelo da Swahilipot: conectar jovens a espaços acolhedores que os ajudam a ver o que é possível.

A Rede de Centros Juvenis da Swahilipot é um ecossistema interconectado de espaços liderados por jovens, conhecidos como “hubs”, nos condados de Mombaça, Kilifi e Kwale, criado em parceria com organizações de base e que se expande à medida que os jovens se conectam, retornam e trazem outras pessoas consigo.
Com o tempo, os centros tornaram-se mais abrangentes, reconhecendo que as competências por si só não são suficientes. Os jovens também precisam de apoio para superar barreiras sociais e psicológicas. Eles criam espaços seguros para esse trabalho mais profundo, incluindo apoio psicossocial e mudanças de mentalidade. Um dos centros da Swahilipot, o Samba Sports Youth Agenda, por exemplo, é um centro comunitário que integra apoio à saúde mental para jovens em recuperação do uso de substâncias e da exclusão social.
No centro desse apoio psicossocial está o “Case Management”, um percurso orientado de três meses voltado para o desenvolvimento da autoconsciência, a definição de rumos e o planejamento do futuro. Desde a elaboração de currículos até a exploração de trajetórias profissionais, os jovens começam a formar uma visão mais clara de suas aspirações. Essa abordagem estruturada, mas profundamente pessoal , já alcançou mais de 10.000 jovens em cinco turmas, e o modelo continua a se expandir.
Quando os jovens começam a se ver de maneira diferente, suas escolhas, trajetórias e resultados também começam a mudar. Um relatório recente, que acompanhou mais de 4.000 jovens apoiados pelo Swahilipot Hub, conta uma história impactante. Houve um aumento de 166% no emprego formal, juntamente com um aumento de 85% no número de jovens que estão criando seus próprios caminhos por meio do trabalho autônomo, e a renda está quase dobrando. Mas tão importante quanto isso é o que está acontecendo por baixo da superfície: mais da metade relata uma melhora no bem-estar, e 68% agora estão economizando regularmente como parte de suas jornadas financeiras.
“Não importa quem você seja ou qual seja a sua ideia, nós ouvimos. Tudo o que fazemos começa aí: simplesmente ouvindo os jovens. Partimos do que eles estão vivendo e do que precisam. O centro se torna um lar, especialmente para aqueles que sentiam que não tinham um”, diz Shazmeen, que atualmente trabalha como assistente social e mentora na Swahilipot, acompanhando outros jovens em suas próprias jornadas.
Hoje, mais de 114 mentores e gestores de caso, como Shazmeen, fazem parte de uma rede em expansão, atuando em 55 centros para apoiar mais de 36.000 jovens.
Hoje, Shazmeen apoia jovens por meio de diversos canais de contato e é também a fundadora do Shazz Mental Space, um espaço dedicado ao bem-estar mental e à reflexão. “A Swahilipot acreditou em mim e nos meus sonhos, mesmo numa época em que as circunstâncias não me davam motivos para isso. Eu sabia o que queria, e eles também perceberam isso. Não importa aonde eu vá, a Swahilipot sempre será o meu lar”, acrescenta Shazmeen com um sorriso.
À medida que o modelo Swahilipot ganha força para além de Mombaça, a expansão para Nairóbi e Kitui já está em andamento, impulsionada por parcerias estratégicas como a firmada com o Conselho Nacional de Igrejas do Quênia (NCCK). No cerne do trabalho da Swahilipot está uma crença simples, mas poderosa: os jovens não precisam ser “consertados”. Eles precisam de confiança, apoio e acolhimento onde estão. E, quando isso acontece, eles começam a definir seus próprios caminhos, independentemente de seu ponto de partida, e fazem isso dentro das comunidades de onde vêm.