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Como retornar com segurança ao aprendizado presencial
Novas descobertas de um estudo global fornecem orientações sobre como as escolas no Brasil podem ser reabertas com segurança
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Novas descobertas de um estudo global fornecem orientações sobre como as escolas no Brasil podem ser reabertas com segurança
Se o ensino presencial deve ou não ser retomado no Brasil tem sido um debate acalorado desde março passado, quando os governos locais fecharam as escolas em todo o país em resposta à pandemia da COVID-19. Desde então, a maioria dos alunos dos 26 estados do país não teve aulas presenciais, o que resultou em custos enormes para crianças, jovens e suas famílias.
Desde então, diretores, professores, famílias e os próprios estudantes têm feito o melhor que podem para lidar com esse cenário sem precedentes, adaptando-se às realidades desafiadoras do ensino à distância e ao mais recente surto do vírus. Apesar de suas respostas coletivas heroicas, a mudança para o ensino remoto tem sido desigual, e as escolas ainda estão lutando, limitadas pela falta de acesso à tecnologia, conectividade, recursos, entre muitos outros desafios.
As perdas para crianças e jovens durante esse período são muitas e as desigualdades têm se ampliado a taxas sem precedentes. Há três vezes mais alunos negros, indígenas e pardos que não receberam atividades de aprendizagem durante a pandemia do que alunos brancos, resultado das desigualdades raciais, regionais e socioeconômicas que dividem o país. O aprendizado varia geograficamente: Enquanto a grande maioria teve acesso ao ensino remoto nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, apenas 52% dos alunos receberam alguma atividade de aprendizagem desde março de 2020 nas regiões norte do país, que são mais rurais e de baixa renda, com poucos recursos educacionais disponíveis.
De forma devastadora, mas não surpreendente, a renda desempenha um fator significativo: Um estudo recente do Banco Mundial mostrou que os alunos do quintil superior da distribuição de renda terão, em média, uma diferença de quase três anos acadêmicos a mais em comparação com seus colegas de baixa renda. O risco de evasão escolar também tem aumentado à medida que as escolas permanecem fechadas, com 35% dos pais relatando o risco de seus filhos não voltarem a estudar. Se considerarmos apenas os alunos do ensino médio, essa taxa chega a alarmantes 58%.
O desenvolvimento socioemocional de crianças e jovens também está em risco. O fechamento de escolas cortou o acesso de crianças e jovens a esse canal vital para o desenvolvimento, a conexão humana e o bem-estar físico e emocional, e muitos estão sofrendo de depressão, desesperança e ansiedade.
Ouvir profundamente a comunidade é essencial para o retorno bem-sucedido das aulas presenciais. É importante reconhecer as preocupações válidas que muitos educadores, pais e estudantes sentem. O retorno ao ensino presencial certamente causa ansiedade e medo, especialmente porque novas variantes do vírus continuam a se espalhar pelo Brasil e por muitos outros países.
Nathalie Zogbi, diretora, Imaginable Futures
O que estamos aprendendo sobre a reabertura de escolas com segurança
Há alguma esperança no horizonte: Os primeiros dados mostram como as escolas podem ser reabertas com segurança e como ajudar os educadores, estudantes e famílias a navegar pelo processo. Um estudo da Vozes da Educação, financiado pela Imaginable Futures com a Fundação Lemann, utiliza os resultados de 21 países da África, Ásia, Europa, América Latina e América do Norte para comparar como eles lidaram com o retorno ao ensino presencial. O estudo acrescenta informações indispensáveis para esse debate e apóia novas políticas públicas orientadas pela ciência e pelos dados.
Na maioria dos países analisados, o retorno às aulas presenciais não afetou as curvas regionais ou nacionais de contaminação por COVID-19. O estudo também sugere que os profissionais da educação não enfrentam um risco de contaminação maior do que outras profissões, embora o risco aumente quando há um contato significativo entre adultos e jovens com mais de 16 anos de idade.
Além da análise, o relatório também oferece práticas promissoras de reabertura que o Brasil e outros países podem implementar, incluindo
Além das práticas promissoras acima, ouvir profundamente a comunidade é essencial para o retorno bem-sucedido das aulas presenciais. É importante reconhecer as preocupações válidas que muitos educadores, pais e estudantes sentem. O retorno ao ensino presencial certamente causa ansiedade e medo, especialmente porque novas variantes do vírus continuam a se espalhar pelo Brasil e por muitos outros países. A criação de uma linha de comunicação aberta para que os pais se conectem diretamente com os professores e diretores pode proporcionar um espaço seguro para um diálogo aberto e ajudá-los a se sentirem mais à vontade para permitir que seus filhos retornem à escola. Mais informações sobre essas e muitas outras práticas promissoras podem ser encontradas no relatório em em inglês aqui e em em português aqui.
Considerações finais
Após um ano de pandemia, é hora de estabelecer diretrizes claras de segurança e os próximos passos para que o Brasil se junte à comunidade global de escolas que reabriram e retomaram o ensino presencial. As preocupações de nossos heróicos educadores e famílias são muitas, especialmente durante o pior surto do país, mas o Brasil deve estar pronto para a adaptação constante e as mudanças necessárias para uma reabertura segura. Se não enfrentarmos esse desafio de cabeça erguida e unidos, estaremos negligenciando as crescentes desigualdades e o custo mental e emocional que está se ampliando entre os estudantes e suas famílias. Enquanto os debates continuam sobre abrir ou manter as escolas fechadas, os dados e a ciência devem ser a base dessas decisões, oferecendo uma alternativa ao espírito inflamado de polarização que se espalhou pelo debate público brasileiro.
Nossa parceira e fundadora do Vozes da Educação Carolina Campos compartilhou conosco recentemente que, se as escolas no Brasil pudessem reabrir em setembro, quando a curva era baixa, teríamos oferecido um semestre digno para nossas crianças. Nós concordamos. Nossos filhos precisam voltar quando for seguro. As medidas de segurança devem ser o "novo normal". Não podemos nos dar ao luxo de manter as escolas fechadas indefinidamente.